sábado, maio 16

A vida passa à velocidade da luz e já nem consigo ler o que escrevo...

terça-feira, maio 12

13/05

Coração em ferida
de um amor sem sorte,
dar-lhe-ia a vida
e ficaria com a morte.

Olhos em sangue,
por ver o que sinto
lábios em chamas,
pela verdade que minto.

Minha alma vira pó,
enquanto me matas sem dó;
nem piedade,
apaga toda a felicidade,
de juntos ter-mos vivido
o que nenhum ser já terá conhecido.

Já serei parte de nada,
quando a minha alma for tudo,
e gritarei para ti,
minha amada,
este belo poema mudo.

domingo, maio 10

Como se perder tempo tivesse valido a pena, esperaste por mim e no dia combinado estavas a hora certa no nosso lugar, caminhar os últimos metros para ti foi como dar uma volta ao mundo, o caminho era tão pouco mas a ânsia era tanta, os passos eram tão curtos e mudos e os pensamentos tão longos e irritantes, a incerteza invadiu as minhas veias e o coração acelerou, mas nem isso fez os passos se tornarem maiores.
Como se fosse parte do vento, cheguei por trás dela e toquei os seus cabelos loiros, lembro-me de ver a expressão mudar, o seu sorriso não se via, sentia-se, e fez-me sorrir, o cheiro da pele dela era tão forte como antes, tanto tempo depois nada tinha mudado. Cheguei-me ao lado dela e sentei-me, a mão dela tocou na minha e toda a minha pele se arrepiou; já não me lembrava deste toque, mas era algo que me deixava feliz, mesmo feliz!
Numa tentativa de lhe poder falar, ela levou a sua mão a minha boca num movimento brusco - "Não digas nada, olha para o horizonte, aprecia este momento, vale mais que qualquer palavra que eu, ou tu, digamos" - disse ela enquanto os seus belos olhos olhavam os meus como nunca antes ela o tinha feito. Olhei para o horizonte e vi o sol a cair para além da imensidão do mar, mas só aí é que percebi o que ela queria dizer com o que disse, quanto mais me tentava concentrar em algo, mais sentia o toque da sua mão na minha, o toque suave da sua pele sobre a minha, valia mais que uma vida a olhar o sol a chamar a noite para nós os dois, pois mesmo que não existisse sol nem lua, existia-mos os dois, um para o outro.
A noite chegou de rompante, a lua estava cheia e iluminava-nos aos dois, ficamos tanto tempo no silêncio, onde apenas as nossas mãos falavam entre si poemas de amor - "Fecha os olhos por favor!" - sem ser preciso pensar por mim, as suas ordens foram cumpridas sem hesitar, fechei os olhos, seguído por ela. Sem ver o que se passava, senti os seus lábios a tocar nos meus, abri os olhos e tinha voltado atrás no tempo, a última vez que nos tínhamos beijado, à dois anos atrás, no mesmo local, com a promessa de uma dia voltar a viver este momento para sempre; voltei a fechar os olhos e passei os dois anos junto a ti, com o belo cheiro da tua pele, o perfeito toque das tuas mãos e o doce sabor dos teus lábios.

domingo, maio 3

Enquanto deixo o vento varrer-me a face na esperança que a tristeza voe, as nuvens juntam-se em meu redor para assistir a minha revolta. Tentei sempre voar sobre os buracos na estrada da minha vida, mas por mais que eu tentasse nunca conseguiria sobrevoar tal abismo que me bloqueou o caminho, que me fez questionar se o que eu pensava que era, era realmente a verdade, se o mundo em que eu vivia, o castelo impenetrável que habitava era realmente assim tão sólido.
O céu fica cada vez mais cheio de espectadores de passagem, outros param e observam bem dentro de mim, pois eu sei que eles têm esse poder, de ver para além da pele e da máscara que nós criamos. Levantei-me lentamente da pedra que me serviu de banco durante este tempo todo, olhei para o céu lentamente e consegui observar todos os espectadores neste circo de monstros que eu apresento. Vi um último raio de sol a tocar-me os olhos e decidi deixar a expectativa destes caros convidados terminar:
-Bem vindos! Juntem-se a mim neste maravilhoso teatro de atrocidades e mortes espantosas, vejam a vida dum mero mortal cair num profundo abismo. Batam palmas para os palhaços tristes que assombram esta existência e riam com as ironias do fim de vida - duas lágrimas caem rosto abaixo em direcção ao chão - A maravilhosa cascata da perdição corre diante vós!
Voltei a sentar-me, pensei no que tinha feito, nada mais que falar para nuvens, como se algum dia me fossem entender e chorar por mim - façam algo de jeito e chorem! Lavem toda a mágoa da minha cara, façam algo inúteis! - como se os meus gritos tivessem chegado as almas de todas as nuvens negras que olhavam para mim, caíram milhares de lágrimas do céu. Batiam com um suave toque no meu cabelo e escorriam em frente da minha cara, olhei para o céu para tentar lavar todo o rancor e ódio da minha face, mas cada gota que caía no meu rosto era mais um remorso para juntar ao saco de ossos da minha bela morte...

sábado, maio 2

Tinha acabado de recuperar os sentidos e olhei em frente, as chamas reflectiam-se nos meus olhos molhados, mas por mais que eu tivesse vontade de chorar nunca iria conseguir apagar aquele fogo. Em segundos as memorias daquela última hora entraram como um relâmpago pela minha mente, lembrei-me de ser empurrado do telhado porque ela não queria que eu morresse queimado pelo fogo, mas ela tinha medo de alturas, tinha medo de saltar, preferia ser levada pelo fogo que levada pelo medo. Preferia morrer e deixar-me cá...
A minha cabeça ergueu-se para o topo da casa e os meus olhos seguíram as paredes rachadas e as janelas partidas até ao telhado com telhas de fogo, onde na ponta se podia avistar o seu vulto, a tentar recuar cada vez mais do toque quente das chamas, e a aproximar-se cada vez mais do seu medo de cair nas trevas. Cá em baixo era uma mera marioneta sem cordas, queria tanto mexer-me mas todas as possibilidades de a salvar acorrentavam-me ao chão e todos os membros ficaram imóveis, deixando os meus olhos assistir à cruel matança do meu amor.
Cada passo seu é mais terreno para as chamas dançarem a dança da morte, gritei por ela mas não saía nada, o medo encheu a minha boca de nada e os meus olhos de sangue enquanto o último passo para o abismo era iminente, falhou o pé na ultima telha e caiu; uma queda de 5 segundos durou uma eternidade, os seus olhos fitaram os meus uma última vez, e vi as suas lágrimas ficarem para trás apagando o fogo que a ia tocar, mas enquanto era salva pelo seu desespero já o seu medo a consumia para o fundo do abismo. A sua vida terminou numa valsa irónica, salvou as nossas vidas do meu medo de me tornar cinza e acabou por virar a cinza que alimenta o negro das trevas.

terça-feira, abril 28

Diário do fim - dia 1

É como se tudo estivesse a acabar, os rios secaram, o céu virou negro, a agua da chuva virou sangue de dor, as arvores perderam a cor, a vida começou a desaparecer. A alegria virou tristeza, as gargalhadas foram abafadas por choro intenso e cheio de desespero, o cantar intenso dos pássaros foi abafado pelos trovões para além ruínas da civilização, o sol abandonou-nos, o frio corta o nosso interior como agulhas geladas. A comida sabe a pó, a agua sabe a ar e por mais que tente não consigo respirar.
Não consigo saber se estou bem ou em extrema agonia, não dá para distinguir, dava a vida só por um segundo de ontem, antes de tudo ter mudado, antes de tudo se virar de pernas para o ar. E assim um Império que demorou tanto tempo a se erguer precisou de um estalar de dedos para se fazer esquecer.
Pontual e rotineiro como sempre, entrei no café às dez e meia e pontual e rotineira como sempre lá estava ela, sentada na mesa do canto, ao lado do grande espelho que reflecte todo o café, a beber o seu chá de cidreira e a comer uma torrada barrada com manteiga só de um lado. Sempre com um romance debaixo de olho, pois lembro-me de ela ser uma apaixonada por aquilo. Consigo ver um dos seus olhos azuis por debaixo do seu manto de fios dourados, o seu sorriso ilumina todo o café e, com galopar das páginas notasse a sua tristeza fluir; talvez seja daqueles romances tristes em que um dos dois apaixonados morre, deixando o outro sozinho e sem rumo, o facto é que ela devora estas histórias que nem uma louca.
Sentei-me no outro canto do café, onde estou reflectido no espelho, a beber o meu café e a comer uma torrada cheia de manteiga - Tanta manteiga faz-lhe mal! - diz sempre o senhor Alberto ao entregar-me o prato - De olhos na menina de cabelos loiros outra vez? Se eu tivesse a sua idade e aparência não escapava - ao dizer isto com o seu sorriso matreiro quase me fez pensar em levantar e caminhar o café inteiro e sentar-me ao lado dela, depois pensei bem, será que valia mesmo a pena? Ela esta aqui todos os dias, oportunidades não irão faltar. Ai acorda! Como é possível estares apaixonado por alguém que nem conheces? O amor à primeira vista não existe!
Um mês depois ao entrar às dez e meia no café, já com os olhos na mesa do canto, aquela debaixo do espelho, noto que estava vazia, possivelmente apanhou transito a vinda para cá, ou talvez tenha tido um exame ou assim. O senhor Alberto já trazia o meu café e a torrada ensopada em manteiga por instinto, sabendo que não eu nunca iria pedir outra coisa, ao pousar o prato na mesa trocou as suas palavras diária por algo que me fez em pó - É uma pena menino, ela era uma boa rapariga, mas a morte toca a todos, ainda bem que não a chegou a conhecer, seria um pouco mau perder alguém amigo não concorda? - nem consegui olhar para a expressão dele ao dizer estas palavras, senti dentro de mim algo que queimava, não sabia explicar o que era, a chávena do café encheu-se de lágrimas em segundos, será que estaria mesmo apaixonado por ela?
-Menino, lembrei-me agora, tome este livro, a outra menina deixou-o a mim na ultima vez que cá veio, e fez questão que fosse entregue a si, um bonito romance se quer que lhe diga. Fitei a capa do livro, e li em letras gordas no topo algo que ainda acabou mais com a minha vida, "Amor à primeira vista."

sábado, abril 25

Tantos anos sem ouvir uma única alma viva, a porta abriu, aquela que eu pensei já não existir, de lá veio um doce som, já ouvi algo parecido, enterrado sobre os pilares da minha memória vive um som assim; sim, eu lembro-me de algo igual.
Ouço os seus passos a chegarem perto de mim, sinto o medo no ar, já não sentia o medo a tanto tempo, para além da dor não sentia nada à anos. Deixei de ouvir os passos, mas em troca ouvi uma voz que acordou em mim tudo o que estava adormecido.

-Os seus olhos?
-Estão nesta caixa, nunca mais precisei deles, pois se os tinha era para a ver a ela, se não a posso ver pouco me interessa o resto.
-As suas mãos?
-Uma está junto da mão dela, se foi algo que sempre quis foi poder sentir a sua mão tocar na minha para sempre, nunca a irei largar, até em pó a irei sentir. Guardei sim a mão direita, para poder escrever sobre ela como outrora fizemos, sentir a sua mão e escrever sobre tudo o que o seu toque me fazia sentir.
-As suas pernas?
Cortei-as, se alguma vez precisei delas foi para poder estar com ela, não faz mais sentido me mexer, pois prometi que nunca a iria visitar quando ela fosse embora.
-O seu peito? Como é possível viver assim?! Mas... não tem coração, esse enorme buraco vazio, não pode ser!
-Tanto é possível que o estas a ver, eu não vivo, já o fizera a muito tempo atrás. Decidi abdicar da vida quando alguém abdicou da sua sem poder escolher. Se aqui estou a falar contigo não é por opção, é por ser obrigado a viver toda a dor que um cobarde tem de sofrer por querer morrer para encontrar quem ama!

O silêncio invadiu a sala, infelizmente perdi a noção do tempo, não sei se passaram dias ou apenas segundos, mas aquele silêncio fazia mais confusão do que o que eu sempre tive em volta de mim. Senti uma brisa quente, mesmo não tendo os meus olhos vi uma luz no fundo da escuridão e ouvi as ultimas palavras da minha vida, lembro-me como se estivesse a ouvir outra vez:
-Desculpa! Se foi coisa que nunca quis foi deixar-te assim, se foi coisa que sempre quis foi voltar aqui, está na altura de vires comigo e seres o que eras antes, tantos anos depois encontrei-te e se há maior prova de amor que a tua, só mesmo o voltar a vida para te encontrar e levar-te comigo, de novo para a morte...
Gotas de sangue caem de olhos cegos, o rosto não sente este rio de dor a descer por si, a boca não sente o ácido sabor, a folha arde ao ser tocada pelo toque seco e sem alma das minhas lágrimas.
Sentado no vazio do meu quarto, acompanhado por uma cadeira, a minha secretária, uma folha e uma janela que aponta para a escuridão da noite, escrevo em linhas de sangue em que cada traço é parte de ti, o meu sangue é teu. O negro vermelho em que o texto se constrói faz-me lembrar o céu pingado com brilhos sem alma de lágrimas vazias de emoção, estrelas que brilham falsamente num céu escuro e cheio cheio de mentira.
Faço minhas as tuas palavras, pois agora não as tens. Faço do meu sangue a tua voz. Faço da minha vida os teus olhos. A escuridão abate-se no meu colo, toda a falsidade escrita no céu se apaga, e todo o ódio nesta folha se acende, as chamas correm todas as frases e parágrafos, terminam todas as perguntas, todas as afirmações, todas as pausas. Percebi em meio segundo de morte o que nunca entendi em tantos anos de vida.

quinta-feira, abril 23

2404

Deserto de memórias boas, negra floresta de más recordações é assim que me recordo da minha mente. A última vez que a visitei tornou-se na viagem mais sombria que poderia ter. Seu sangue espalhado pelo corredor da minha vida, procurei por todas as portas mas ela já lá não estava, nenhum quadro do passado tinha o seu olhar que me seguía constantemente; encontrei-me preso num canto escuro, sozinho, toda a luz era engolida por um negro manto em minha frente.
Corri para ele, mas quanto mais corria mais a luz se ia e menos a ela a via, perdi-me em mim mesmo, na minha mente, tentei sentir o que me fazia encontrar-te, mas acabei por sentir o que me fez te perder. Dói tanto!
Mais um sono perdido em que não te encontrei, remexo nas memórias, nos sentidos, mas cada vez mais me apercebo que tudo não passa de uma história que um dia eu criei, idealizei e me apaixonei...

quarta-feira, março 11

Turno a turno as tuas acções entram pelo meu campo, os primeiros embates são eminentes e desencadeiam emoções cada vez mais fortes, lanço torres em tua volta que se fortalecem a cada passo que dou, passos velozes como os de um cavaleiro no seu cavalo negro como as trevas, deito abaixo as tuas crenças, bispos morrem num movimento brusco de conseguir chegar a ti.
Sou rei sem rainha, o jogo começa a apertar, uma simples aberta tua pode fazer-me chegar mais perto, nunca em tantos jogos vi as regras mudarem, o simples abater dum peão significar tanto ou mais que uma torre perdida, um deslize de ideias marca o fim da jogada, estou frente a frente a ti, marco passo a passo, tu não tentas fugir, fica eminente que o jogo não irá terminar, rei atrás de rainha, corre o que quiseres, destas quatro paredes não irás fugir, irei ter-te sempre para mim.
Minha rainha...

terça-feira, março 10

Noites em branco

Talvez hoje o vento sopra para outro lado, pois não o sinto a beijar a minha cara, apenas um toque suave na nuca. É tão bom adormecer embalado por ti, mesmo que não sejam as tuas belas mãos, o meu berço de ouro, sinto-te no ar, o vento que me penteia os cabelos é comparável aos teus dedos que tantas vezes fizeram o mesmo trajecto, enquanto falavas o quanto invejavas o caminho que percorrias e o quanto eu amava a serenidade do teu caminhar.
Hoje a lua é cheia, mas não tão cheia como quando ela nos iluminava, quando a sua luz brilhava mais que dez sois num foco de luz imensamente mágico, que fazia tudo parecer mais belo. Era fascinante como aquela luz conseguía tornar a tua imensa beleza num poço de perdição eterna, onde deixei cair a chave da minha vida e onde me perdi a olhar para o teu reflexo.
A água está gélida, quase tão fria como o meu coração, que perdeu chama para o aquecer, que não tem lenha para queimar, uma pedra de gelo negro que arde ao toque e me gela o olhar.
O ar pesa no peito, sinto dor que não vejo, vejo a dor que não sinto, não consigo respirar, durante tanto tempo venho a respirar os últimos bocados de ar que restam no meu mundo, inspiro memórias e expiro saudade, cada vez mais a saudade pesa e a memória escasseia. Saber que não te tenho é como não possuir ar, será a falta do mesmo que irá acabar por me matar.

quinta-feira, março 5

Monólogos de fim de vida

Estou farto!
Quero ir embora daqui, quero viver tudo o que não vivi, tudo o que me prendeu a ti, estou farto!
Porque é que tem de ser sempre assim? Viver preso a tua figura, ao teu olhar, a tua voz! Ainda hoje te ligo, mas que raio? Tu estás morta! Sai da minha vida, tu não existes, para de me assombrar, quero-te de volta mas mais que tudo quero que vás embora. A morte nunca dá vida, mas a vida da a morte; queres mesmo que eu morra para estar contigo? Queres mesmo que eu perca tudo para ter nada? Porque é que me fazes isto? Eu disse que te amava, e tu bem o ouves, mas tapas os ouvidos na mais pura tentativa de me fazer perder, eu sou mais forte que isso, mais forte que tu! Infelizmente não sou mais forte que o amor que me prende a ti, as correntes que prendem os meus pés ao chão e o meu pensamento em ti, a chave que perdi ao tentar te encontrar nunca me irá salvar, resta agora esperar por alguém que me salve.
Mas o que é que tu estás a dizer? És tão fraco, sempre tão fraco, o facto de eu ainda aqui habitar é pura e simplesmente por eu ser parte de ti. Deixa-me tomar controlo, eu tiro-te dessa agonia mortal que esmaga o teu peito e te tira o ar, deixa-me queimar a alma dela dentro de ti, deita-a na fogueira, FAZ A MAIOR FOGUEIRA DO MUNDO! Desculpa lá, estou a ser mau para ti, desculpa eu devia ter pensado melhor nas palavras, não fiques assim...FRACO, MORRE, QUEIMA-A A ELA E APROVEITA E ARDE TU TAMBÉM, DEIXA-ME LIVRE DE TI, FRACO INÚTIL!

terça-feira, março 3

Retrato

Tantas voltas dei de facto,
em volta do teu retrato,
olhar sem poder tocar,
rir e querer chorar.

As voltas que ainda dou,
como um pássaro que voou
e a sua casa não voltou,
um amor que viveu
de um louco que morreu.

Hoje rimo para ti,
uma história que vivi,
um sentimento que tenho em mim,
e que termina assim...

Da-me tudo!
Da-me nada!
Da-me um mundo,
um universo
onde esteja tudo imerso
e perdido lá no fundo.

domingo, fevereiro 15

Escrito no espelho
no mais negro vermelho,
a carta de despedida
do seu mundo sem saída.

Enquanto o sangue escorre
minha alma morre,
vejo o teu reflexo em mim
do outro lado do espelho,
por entre esse negro vermelho.

Imagem tão vil,
parte o espelho em mil,
e cravo-te agora em mim,
com este afiado vidro maldito
que me da dor que não sinto.

São sete anos de azar,
duma vida a terminar
e enquanto caio no chão,
vou acompanhado pela solidão,
na mais irónica despedida,
duma metáfora de vida
e uma hipérbole de morte..

that's all folks

quinta-feira, janeiro 29

Se não morro hoje, morro amanhã, tão fácil quanto um, dois, três, mas os dias passam e hoje não morro e amanha também não; já é altura de meter os pés na terra! Pensar na vida cansa, mas pensar na morte abafa, é como ir as compras, mas não querer comprar nada, tanta morte por onde escolher, mas só uma forma de morrer. Ver a vida por um canudo, ou o fogo queimar tudo? Escolher tanta diversidade, ou morrer pela merda da idade? Tentar ser imortal, ou ter uma morte bestial? Já nem tento, já nem sei, mas o jornal diz que me enforquei, sempre tive tudo em vida, e escolhi o que viver, a morte não é excepção, vou ser eu que a vou fazer; corda grossa e nó especial tornaram o evento sensacional, subi para o banco da minha avozinha, mesmo no centro da cozinha, corda no tecto, olho no chão, qual é que será a sensação? Será que primeiro fico sem ar, ou a corda vai-me logo matar? Bem é só mandar o banco para trás e o grande espectáculo se faz!
Eu disse que não gostava e disse que não quis, o raio da corda queimou-me o nariz! Não queria viver, mas nem pensar em morrer, pelo menos assim não! Pensei num pretexto ideal, que não me deixasse ficar mal, não queria ser um cobarde no discurso do funeral; o padre a pregar, que esta pobre alma foi pelo mau caminho, ainda bem que o meu corpo vai ser cremadinho. Ai não chorem a minha perca, choro mais eu por agora estar uma eternidade sem ter que fazer. Não olho para vocês aí em baixo; para acções humanas cheias de burrice tenho uma vida toda para trás.



Aparte: Ironia a parte, o texto ficou engraçado, para quem esta habituado ao habitual... não estranhem :)
Desejo...
vai além do mero beijo,
ternura sensata,
amor que mata,
fogo que queima e dá dor,
agua que extinguiu o amor;
volta certa para fim errado
a triste sensação de não ser amado.

Sou fim de mim
e vivo assim,
eternamente,
sem corpo nem mente,
nem cá;
nem lá,
sou um de dois,
o antes do depois,
morte da vida,
e vida da morte...

Poesia não é o meu forte, mas estou a tentar que seja, obrigado Pessoa por ser tão boa pessoa mesmo em morte.

sábado, janeiro 24

Queimei toda a imagem de ti, com esperança de esquecer a forma bela do teu rosto, mas passados todos estes anos a chama cada vez mais revela o que eu quero apagar. Se o amor eterno existe, a tua eternidade já me consumiu a alma, somos um, sempre fomos, até mesmo antes de o sabermos.
Fomos destinados a isto, ser os olhos um do outro, a consciência comum, o bem e o mal de nós mesmos. Sou os teus olhos na vida e tu os meus na morte, sou a consciência da tua alma e tu a alma do meu ser, eu sempre fui o teu bem, tu tornaste-te o meu mal. Ser um único ser, feito por vida, desfeito por morte, consumido por azar, imundo de sorte. A grande esperança de nunca ser a desilusão, torna-se assim no grande sonho de poder sonhar para sempre, no grande sonho que é o negro vazio do teu lar, onde eu quero para sempre morar, a saudade eterna do sentimento efémero, tudo o que disse que se foi no ar, os escritos que quis apagar; saudade.
A vida são dois dias, tu foste à 4 anos; estou destinado a viver mais que uma vida só para sofrer com este peso, ou de facto não é tudo mais que o sono de um dia para outro? Amanhã vai ser o segundo dia, estou quase aí...

sexta-feira, dezembro 12

"Está a chover" - serás tu a chorar por me veres e não poderes tocar? Serei eu a chorar por não te ver nem te poder tocar? Será apenas a chuva?
Será que não é hoje que entendo finalmente que o sempre nunca existiu? Não! Não pode ser, tu exististe, não foi um sonho, lembro-me da tua voz, lembro-me das promessas, lembro-me de... não! Não me quero lembrar disso! Gostava de poder esquecer, mas tanto tempo passou e quase tudo continua igual, a chuva de que te falei na ultima noite é tão fria como a de hoje, o vento é tão gélido como o de hoje, só o teu calor não é tão quente, aliás, o meu corpo é cortado por este gelo que me envolve. Nem a memória da tua voz me protege. Viver de memórias, é a isto que estou destinado?
Sim, amanhã vou acordar, e ver que tudo foi um sonho, que ainda estou a dormir junto a ti. Ou vou acordar outra vez sozinho, com menos um dia de vida, desperdiçado a tentar acordar do pesadelo em que estou, tudo o que resta de ontem.

Dia esquecido de mês perdido de 2009

Olá mais uma vez, penso que já deves de estar farta de receber cartas minhas, eu não me canso de as escrever, e possivelmente tu deves gostar de as ler, sou o teu maior admirador, disso não tenhas duvidas; se algo me intriga na vida decerto que és tu, mas isso já to disse na primeira carta e direi também na última, se bem que tu queres ler para todo o sempre o que eu te escrevo.
Iremos ter de ser os últimos a existir? Continuar a dar-te todos os dias isto com que tu te alimentas? Sinceramente não entendo, porque é que eu ainda não fui escolhido? Terei algo errado?
Acho que tu gostas de me ver sofrer, aposto até que amas que alguém goste de ti e te ache fascinante, mas ao menos deixa-te de rodeios, leva-me para perto de ti, leva-me para perto dela, custa assim tanto? Para ti é como estalar os dedos; estala-me já o pescoço! Por favor! Peço-te com todas as forças que tenho, que parecem não se esgotar, eu não quero ser o último!
Sim acho que agora te ris-te, por eu dar tanta ênfase as frases quando tu estas por cima do meu ombro a ver as lágrimas a cair no papel, a ver o ódio emergir do meu ser, a ver a aura negra que tu usas para viver. Usa-me em morte, pois em vida já não tenho nada a dar. Anda lá, só peço hoje o mesmo, com mais vontade que ontem e muito menos que amanha, só tu fazes sentido.

Após 4 anos de cartas, espero também hoje outra resposta minha bela amiga, morte...